9. - Despedida

Abri os olhos e ele estava lá, deitado; exatamente como o havia deixado. 
Toda dor e proximidade com a morte não haviam apagado a vivacidade de sua expressão,
 mesmo que esta, agora, fosse apenas sutil.
Aproximei-me de seu corpo e toquei suas mãos, 
os olhos suavemente abrindo-se e me encarando acompanhado de um tímido sorriso dolorido.


- Como você está? – Perguntei, mas nada me foi respondido.


Suas lágrimas caíram e percebi que também estava chorando.
 Ele ainda me fitava, 
como se quisesse me dizer algo.
Mas eu sabia que isso não seria possível.
 A doença havia levado sua força 
e mesmo assim o vi usando de um esforço para o fazer.


- Quero que você fique bem, que viva bem, que seja feliz. 
Sempre estarei aqui e nunca vou lhe deixar. 
Eu te amo.


Disse-me isso da forma mais categórica que pôde
 e depois deu-me um curto e iluminado sorriso, 
mostrando-me, mesmo que brevemente, suas covinhas.
Seus olhos tornaram-se opacos e o aperto leve em minha mão tinha sumido.
Eu o havia perdido, mas ele sempre me teria. 
Pois eu nunca conseguiria realizar o seu desejo.

Nunca conseguiria ser o mesmo,
 porque ele já não estava mais lá e tudo seriam apenas memórias. 
Dolorosas demais pra serem lembradas, 
intensas demais para serem esquecidas.


Eu estava só. E ele também.


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Metas 2015

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  • Emagrecer.
  • Dar início ao projeto da minha linha de lingerie.
  • Conhecer pessoas.
  • Conhecer a mim mesma.
  • Aprender a desenhar.
  • Aprender a costurar.

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